O processo do ator como experiência do arquétipo-herói: convergências entre o processo de individuação em Jung e a arte como veículo de Grotowski

Franciele Machado de Aguiar, Inês Alcaraz Marocco

Resumo


Compreender criando: eis o trajeto. Servindo-se da teoria dos arquétipos da psicologia analítica de Carl G. Jung, pretende-se estabelecer relações entre os procedimentos de criação do ator e os conceitos de mitopoese, símbolo e arquétipo, a fim de encontrar possíveis vínculos entre o processo criativo e os aspectos que caracterizam a manifestação da imagem arquetípica do herói. As mitologias fundadas a partir desse arquétipo expressam uma busca de autoconsciência, uma jornada de formação, um modelo processual. Esse trajeto se direciona à experiência da totalidade do ser, ao ato de integração do self denominado pela psicologia analítica junguiana como individuação. Conforme as concepções de Grotowski – principalmente no âmbito da chamada arte como veículo e do trabalho sobre si –, o processo de criação envolve experiências semelhantes de autoconhecimento e de totalidade. Caberia entendê-lo como processo de individuação? Nesse sentido, o encontro do próprio processo por parte do ator pode constituir-se como uma jornada mitopoética na qual a criação dá sentidos aos acontecimentos, é um discurso de processo.

Palavras-chave


Trabalho sobre si; Processo criativo; Arte como veículo; Individuação; Arquétipo.

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Referências


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ISSN 2176-9516

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