Retrato do artista quando se revela: a tradução do eu na cena

Luana Menezes de Oliveira, Karenine de Oliveira Porpino

Resumo


O presente trabalho se debruça sobre uma cena específica do espetáculo
Retrato do Artista Quando Coisa, da Bololô Cia. Cênica, inspirado pela obra do
poeta Manoel de Barros, viabilizado através do Prêmio Funarte de Teatro
Myriam Muniz 2012 e dirigido pela Cia. Luna Lunera, de Belo Horizonte. A cena
em questão é chamada, pela própria companhia, de Retratos do Abandono, e
foi criada a partir das dramaturgias pessoais dos atores-criadores, constituindose
como o conjunto dos autorretratos cênicos de cada ator, isto é, os atores,
para escreverem poética e corporalmente a cena, serviram-se de memórias e
fatos das suas próprias biografias. O trabalho analisa, assim, os principais
procedimentos criativos que levaram à construção da cena, sendo estes: a
apropriação do vocabulário e do linguajar de Manoel de Barros, a
dessacralização dos textos, o abandono à cena e o desnudamento de si,
entendendo estes procedimentos como procedimentos de tradução do “eu” na
cena. Entende, ainda, que estes autorretratos são possíveis somente a partir
do desnudamento e abertura emocional dos atores, que, portanto, não
representam personagens, mas se revelam enquanto si mesmos, sujeitos da
experiência.

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Referências


BARROS, Manoel de. Poesia completa. São Paulo: Leya, 2010.

FIGUEIREDO, Eurídice. Régine Robin; autoficção, bioficção, ciberficção.

Ipotesi, Revista de Estudos Literários. Juiz de Fora: UFJF, v.11, n.2, p. 21-

, 2007.

LEONARDELLI, Patricia. A memória como recriação do vivido aplicada às artes performativas. Revista Sala Preta. São Paulo: USP, v. 9, p. 191-201, 2009. Disponível em:


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ISSN 2176-9516

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