Estações e Trilhos da Escola Livre de Teatro (ELT) de Santo André (1990-2000)

Vilma Campos dos Santos Leite

Resumo


Estações e Trilhos da Escola Livre de Teatro (ELT) de Santo André (1990-
2000) é resultado de um trabalho de doutoramento que acompanha uma
década na trajetória da escola de teatro, a ELT, procurando trazer à tona os
modos de viver, a formação e a criação teatral, bem como os diálogos
realizados com seu tempo e lugar. O trabalho teve como fonte documentos
escritos, imagens e encontros grupais com os artistas que fizeram sua
formação na ELT e também com os profissionais que nela trabalharam. A
análise partiu principalmente dos conceitos de memória de Henri Bergson e de
narrativa e experiência de Walter Benjamin. A analogia do transporte urbano
“trem” foi utilizada como imagem para a escrita da tese, porque o termo
relampejou recorrentemente na enunciação dos narradores, levando a dividir
os períodos presentes na década analisada em três estações. O primeiro
desses momentos (1990-1992) percorreu a concepção, com os entraves e
diálogos, destacando a criação e montagem do espetáculo Paranapiacaba
(1991). O segundo, os processos criativos e os desdobramentos das práticas
teatrais, no período de 1993-1996, quando a ELT foi fechada em virtude da
troca de legenda no governo municipal. O terceiro momento trata dos modos
como foi vivido o retorno da ELT entre 1997-2000, destacando a gestação de
um instrumento pedagógico, chamado processo colaborativo, envolvendo
principalmente os Núcleos de Dramaturgia e de Direção. Nessa cronologia, é
possível destacar transformações como a dissolução de um projeto cultural
mais amplo no âmbito da formação artística do município, sem que isso
necessariamente significasse um conformar-se à realidade dada. Das
continuidades, a de uma apropriação do fazer criativo dentro da própria cena
num “aprender a aprender” pela experiência e que a inexistência de um
curriculum prévio favorece. A ELT se insere, assim, numa genealogia de
escolas que pensam a formação teatral, enquanto investigação e como
reformulação no próprio fazer.

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ISSN 2176-9516

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