A dança pós-dramática do Judson Dance Theater

Cibele Ribeiro, Karenine de Oliveira Porpino

Resumo


O Judson Dance Theater estabelece um marco e uma zona de
indiscernibilidade na história da dança. Formado por artistas de diversas
formações e atuações que não só a dança, este grupo tem ainda outras
características marcantes: constituiu um coletivo de dança independente sem a
figura de um diretor, evidenciando a ideia de um intérprete criador, além de ser
influenciado por considerações não-convencionais sobre composição musical
ressignificadas na composição coreográfica. Seus integrantes alargaram as
fronteiras da dança e a reterritorializaram como ponte, juntura, zona de
indiscernibilidade, noções tão caras aos filósofos Gilles Deleuze e Felix
Guattari, provocando interações entre informações e formações que raramente
interagiam, explicitando uma noção de dramaturgia do corpo. Tais
características fazem recordar ainda o conceito de “teatro pós-dramático”
sustentado por Hans-Thies Lehmann, para quem o teatro deve ser configurado
não pela temporalidade histórico-filosófica trazida pela noção de “teatro pósmoderno”,
mas por suas próprias particularidades criativas — uma vez que
esse fazer artístico não nega a modernidade, mas fecunda e explode questões
trazidas pela modernidade.

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Referências


BANES, S. Greenwich Village 1963: avant-garde, performance e o corpo

efervescente. Rio de Janeiro : Rocco, 1999.

_________. Democracy’s Body: Judson Dance Theater, 1962-1964. Durham,

Duke University Press, 1987.

DELEUZE, G. & GUATTARI, F. O que é filosofia? Rio de Janeiro: Ed. 34,

LEHMANN, H. Teatro pós-dramático. São Paulo: Cosac Naify, 2007.

MARQUES, I. “Vazio positivado: Robert Dunn e o indeterminado na dança” in: Dançando na escola. SP: Ed. Cortez, 2003, pp. 178-194.


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ISSN 2176-9516

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