Atue como uma mulher: pedagogias da atuação para mulheres cis e trans

Lucia Regina Vieira Romano

Resumo


Este artigo propõe uma visada sobre a área da interpretação nas artes cênicas, tendo por enfoque as políticas de gênero nos processos formativos dos atores e atrizes. Como o campo da interpretação teatral discute os papéis sociais de gênero feminino, na relação entre ator e atriz e a personagem, assim como entre a personagem e a espectadora? Como as pedagogias da atuação são influenciadas pela epistemologia feminista? Essas pedagogias respondem de que maneira à diversidade das experiências das mulheres cis e trans? O questionamento servirá para evidenciar os elementos da atuação que carregam as marcas de gênero, na tensão entre physis d@s intérpretes, modalidades de descrição dos gêneros no campo social e a construção do gênero das personagens na cena. A partir dos estudos de Aston (1999), Diamond (1988, 1997), Romano (2009), Miranda (2010), Fry (2007), Schroeder (1996), Tait (2002) e Armstrong (2007), sugere-se a possibilidade de transmissão de um fazer atoral feminista (esboçado dentro e fora de uma pedagogia atoral feminista), por meio da escolha de certos modelos e processos que partem do conhecimento situado (centrado no ponto de vista da enunciadora), da relação estreita entre teoria e prática, da potencialidade de agenciamento, da criação de diálogos entre artistas da cena mulheres e, no caso brasileiro, da intersecccionalidade entre gênero e raça.


Palavras-chave


Teoria atoral. Interpretação. Teatro feminista. Pedagogias dissidentes.

Texto completo:

PDF

Referências


ANAZ, Sílvio Antonio Luiz; AGUIAR, Grazyella; LEMOS, Lúcia; FREIRE, Norma e COSTA, Edwaldo. Noções do imaginário: perspectivas de Bachelard, Durand, Maffesoli e Corbin. Revista Nexi, n. 3, 2014. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/nexi/article/download/16760/15660. Acesso em: 30 out. 2019.

ARMSTRONG, Ann Elizabeth, JUHL, Kathleen (Org.) Radical acts: theatre and feminist pedagogies of change. San Francisco: Aunt Lute Books, 2007.

ASTON, Elaine. Feminist theatre practice – a handbook. London: Routledge, 1999.

BALTHAZAR, Gregory da Silva; MARCELLO, Fabiana de Amorim. Corpo, gênero e imagem: desafios e possibilidades aos estudos feministas em educação. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 23, e230047, 2018. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-24782018000100239&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 30 out. 2019. Epub Sep 03, 2018.

BOURDIEU, Pierre. Sociologia. Org. Renato Ortiz. São Paulo: Ática,1983.

COSTA, Cláudia de Lima. O sujeito no feminismo: revisitando os debates. Cadernos Pagu, v. 19, 2002: p.59-90. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cpa/n19/n19a04.pdf. Acesso em: 30 out. 2019.

DE LAURETIS, Teresa. A tecnologia do gênero. In: HOLANDA, Heloisa Buarque de (Org.). Tendências e impasses: o feminismo como crítica cultural. Rio de Janeiro: Rocco, 1994. p. 206-241.

DIAMOND, Elin. Brechtian theory/feminist theory: toward a gestic feminist criticism. TDR, vol. 32, no. 1, Spring, 1988, p. 82-94.

DIAMOND, Elin. Unmaking mimesis. London: Routledge, 1997.

FÉRAL, Josette. What is woman’s place in contemporary acting theory? The case of pol pelletier. In: Spirits in the city of women. Trad. Carrie Loffree, July 1995, p. 133-141.

FRY, Chris. The way of Magdalena. Denmark: The Open Page Publications, 2007.

HOOKS, Bel. Ensinando a transgredir. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

JESUS, Jaqueline Gomes de (Org.). Transfeminismo: teorias & práticas. Rio de Janeiro: Editora Metanoia, 2014.

MIRANDA, Maria Brígida de. Playful training: towards capoeira in the physical training of actors. UK: LAP LAMBERT Academic Publishing, 2010.

NOCHLIN, Linda. Why have there been no great women artist? In: NOCHLIN, Linda. Women, art, and power. Boulder and Connor Hill: Westview Press, 1988. p. 136-144.

PAVIS, Patrice. O ator. In: PAVIS, Patrice. A análise dos espetáculos. Trad. Sérgio Sálvia Coelho. São Paulo: Ed. Perspectiva, 2003.

ROMANO, Lucia Regina Vieira. De quem é esse corpo? A performatividade do gênero feminino no teatro contemporâneo - cruzamentos entre processos criativos das mulheres, cena e gênero. São Paulo: Ed. Unesp, 2017.

SCHROEDER, Patricia. The feminist possibilities of dramatic realism. Madison: Fairleigh Dickinson U. P., 1996.

SEGATO, Rita Lara. Gênero e colonialidade: em busca de chaves de leitura e de um vocabulário estratégico descolonial. E-cadernos CES - Epistemologias feministas: ao encontro da crítica radical. n. 18, 2012. Trad. Rose Barboza, p. 106-131. Disponível em: https://journals.openedition.org/eces/1533. Acesso em: 30 out. 2019.

TAIT, Peta. Performing emotions: gender, bodies, spaces in Chekov‘s drama and Stanislavski‘s theatre. Bodmin, Cornwall: Ashgate, 2002.

WEISS, Gail. Body images: embodiment as intercorporeality. Washington: Psychology Press, 1999.

YOUNG, Iris Marion. Throwing like a girl: a phenomenology of feminine body comportment motility and spatiality. Human Studies, vol. 3, 1980. p. 137-156. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/BF02331805. Acesso em: 30 out. 2019.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


ISSN 2176-9516

Apoio