Reis e plebeus nas ruas: Incursões etnográficas junto à circulação do espetáculo de teatro de rua “Era uma vez um rei”, do grupo Pombas Urbanas

Alexandre Falcão de Araújo

Resumo


O presente trabalho apresenta a descrição e análise de incursões etnográficas acompanhando apresentações do espetáculo de teatro de rua “Era uma vez um rei”, do grupo Pombas Urbanas, sediado no bairro Cidade Tiradentes, extremo leste de São Paulo. O foco principal do campo etnográfico esteve na recepção da obra por parte do público, relacionando-a com as proposições da encenação, bem como com as formas de apropriação do espaço público por parte dos espectadores. Ao longo da análise, parte das experiências vivenciadas são relacionadas com as categorias de Antropologia Urbana propostas por José Guilherme Cantor Magnani, como pedaço, mancha e circuito. Alguns pontos da análise de campo e dos escritos teóricos acerca do teatro de rua são contextualizados também em relação ao conceito de atitude blasé, como proposto por Georg Simmel (1967). A observação participante junto ao elenco do espetáculo, mas principalmente junto ao público foi a principal técnica utilizada no campo, buscando entender como se dá a apreensão da obra por parte dos espectadores: como as pessoas reagem às cenas, quais comentários tecem e, eventualmente, como emitem opinião acerca do espetáculo. Além da obra em si, a etnografia realizada teve por objetivo compreender se (e como) a experiência teatral de rua promove transformações na relação do público com a cidade. A análise realizada traz algumas pistas nesse sentido, apontando também para a diversidade de experiências e apreensões de acordo com o local e o contexto em que se realizaram as apresentações.  


Palavras-chave


Teatro de rua, Pombas Urbanas, Recepção, Etnografia, Antropologia Urbana.

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Referências


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ISSN 2176-9516

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