O Naufrágio: Memória e Multiplicidade em Cena

Sulian Vieira, Roberta Matsumoto

Resumo


“O Naufrágio”, performance teatral que apresenta a versão integral do
texto teatral “O Marinheiro” de Fernando Pessoa, comentada a partir de trechos
de “A Tempestade” de William Shakespeare, produz um terceiro discurso
estético que enfatiza o potencial criativo da condição humana em contraponto
ao seu caráter finito. As opções de encenação de “O Naufrágio”, produzida no
contexto do Grupo de Pesquisa “Vocalidade e Cena” em 2006 e 2010, ressoam
com o jogo especular entre memória, realidade, ficção e imaginação latente ou
manifesto em ambos os textos teatrais. Este artigo propõe comentar tais
opções que colocam em agenciamento diversos tipos de memória: a memória
como reminiscência, como imaginação ou como criação, que forjam relações
inusitadas entre ação, espaço e tempo. Simultaneamente, a constância de
diversas tecnologias de produção e reprodução audiovisual em “O Naufrágio”,
além de possibilitar a multiplicação da presença da única atriz em cena,
explicita a potência da interface memória humana/ memória não humana para
a arte e para a subjetividade contemporânea.

Palavras-chave


Memória; Tecnologias; Multiplicidade; Teatro contemporâneo.

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Referências


DELEUSE, GILLES & GUATTARI, FÉLIX. Mil Platôs, Capitalismo e

Esquizofrenia: Vol. 1, São Paulo: Editora 34, 2004.

SHAKESPEARE, WILLIAM. A Tempestade. Teatro Completo Comédias.

Tradução Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro: Ediouro, 1992.

PESSOA, FERNANDO. O Marinheiro. São Paulo: Babel, 2011.

VIEIRA, SULIAN. Voz em Cena no Teatro Estático. Anais do IV Congresso da

ABRACE (Associação Brasileira de Pesquisa em Artes Cênicas). Rio de

Janeiro: 7 Letras, 2006.


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ISSN 2176-9516

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