A arte do movimento na prática como pesquisa

  • Ciane Fernandes Universidade Federal da Bahia
  • Cláudio Marcelo Carneiro Leão Lacerda Universidade Federal de Pernambuco
  • Cibele Sastre Universidade Federal do Rio Grande do Sul
  • Melina Scialom Universidade Estadual de Campinas
Palavras-chave: Arte do movimento. Prática como pesquisa. Pesquisa performativa. Educação somátic. Abordagem somático-performativa.

Resumo

A mesa propõe discutir diferentes aspectos, desdobramentos e vertentes da Arte do Movimento, inicialmente estruturada por Rudolf Laban, no contexto contemporâneo da Prática como Pesquisa (Practice as Research ou PaR) e suas variações (Pesquisa Performativa, Performance como Pesquisa, Pesquisa baseada na Prática, Pesquisa guiada pela Prática etc.). Na Arte do Movimento, incluem-se principalmente aspectos dos Estudos Coreológicos e da Análise Laban/Bartenieff de/em Movimento, bem como desdobramentos como o Movimento Autêntico (Whitehouse), Estudos do Movimento Integrado (Hackney) e outros, em diálogo com as práticas artísticas (criação coreográfica, teatral e de performance, execução de dança, improvisação e atuação) e pedagógicas (pedagogia da performance, articulação professor-pesquisador-artista) desenvolvidas pelos proponentes. A PaR é uma forma de pesquisa acadêmica que tem a prática (artística/criativa) como método e/ou como produto de pesquisa. Segundo Schatzki, Knorr-Centina e Savigny (2001) este movimento faz parte de uma “virada para prática”, onde o fazer, a vivência e a experiência tem se tornado cada vez mais relevantes para a pesquisa acadêmica. Este modo de pesquisa tem sido amplamente investigado (e publicações sobre o tema datam da década de 1990 no final do século XX) para se desenvolver parâmetros e sistemáticas para se discutir diferentes modos de se fazer/criar como conhecimento especializado. No contexto da PaR, a Arte do Movimento redefine a performatividade como mover e ser co-movido por pulsões espaciais, entre matéria e energia, pausa e ebulição, integrando-se com princípios somáticos de conexões e relações afetivas, ecologia profunda e diversidade. Através de procedimentos somático-performativos, tais processos de pesquisa em artes cênicas são guiados pela vivência criativa em movimento, em imersões de experiência e análise, movimento e escrita, valorizando a inteligência do próprio processo, assim, estruturando a inovação do conhecimento de modo eminentemente dinâmico e relevante.

Biografia do Autor

Ciane Fernandes, Universidade Federal da Bahia
Professora titular da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, mestre e Ph.D. em Artes & Humanidades para Intérpretes das Artes Cênicas pela New York University; pós-doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA. 
Cláudio Marcelo Carneiro Leão Lacerda, Universidade Federal de Pernambuco

Coreógrafo, dançarino, professor e pesquisador. Professor Adjunto do Departamento de Teoria da Arte e Expressão Artística da Unive pela Universidade Federal da Bahia. Mestre em Artes pela Unicamp. Bacharel em Dança pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Cibele Sastre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Professora-pesquisadora-artista Adjunta no Curso de Dança da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Doutora em Educação - PPGEDU – UFRGS (2015), mestre em Artes Cênicas - PPGAC – UFRGS (2009), bacharel em Artes Cênicas DAD/IA – UFRGS (1989). 

Melina Scialom, Universidade Estadual de Campinas

Artista-pesquisadora e professora colaboradora de dança e performance no Departamento de Artes Cênicas da UNICAMP. Doutora em Dança pela University of Roehampton (Londres, Reino Unido, 2015); Mestre em Artes Cênicas pela UFBA; Bacharel e Licenciada em Dança pela UNICAMP.

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Publicado
2019-05-08
Seção
Mesas Temáticas