O teatro da ausência em três obras de Heiner Goebbels

Cristiane Werlang

Resumo


Em texto de 2010, intitulado Aesthetics of Absence: questioning basic assumptions in performing arts, Heiner Goebbels apresenta alguns questionamentos a respeito da ideia clássica de teatro e ópera centrada no conceito de experiência e expressividade artísticas mediadas por atores, cantores, bailarinos e instrumentistas. Goebbels propõe, em contrapartida, uma estética centrada na ausência, discutindo também o papel do texto e do político nas criações contemporâneas. A ausência estaria no centro das suas obras, como um espaço entre, um espaço de descoberta. Este artigo apresenta um olhar sobre as dez características do Teatro da Ausência, conforme exposto pelo criador multimídia alemão Heiner Goebbels (1952), e propõe um diálogo com os estudos da performance de Erika Fisher-Lichte (1943) e Hans-Thies Lehmann (1944). A análise tem como base três das criações cênicas de Goebbels intituladas: Stifters dinge (2007), When the Mountain Changed its Clothing (2012) e John Cage: Europeras 1 & 2 (2012).

Palavras-chave


Heiner Goebbels. Teatro da ausência. Performance.

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Referências


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ISSN 2176-9516

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